quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

CAP. 23 – NO CEMITÉRIO

trilha sonora


Chegamos ao cemitério e paramos diante de uma lápide onde se encontravam os nomes Fernanda e Gabrielly.  Pelas datas, percebi que Fernanda era a falecida esposa de Fabiano, e Gabrielly, a filha que morrera com apenas 3 aninhos, idade de minha filha.

Próximo às lápides, havia um banquinho branco cercado por uma roseira que exalava um perfume delicioso. Eu sei, é uma ironia dizer que flores exalam perfumes diante de lápides, mas o perfume delas tornava o ambiente menos triste.

Depois de um tempo em silêncio, Fabiano começou a me contar a causa do falecimento de ambas:

- Estávamos voltando de Santa Catarina onde havíamos ido passar as férias. Saímos cedo de Floripa para não correr riscos na viagem.

Dizendo isso, ele soltou um riso nervoso e continuou:

- Mas eu me esqueci de que não adianta apenas um motorista ter cuidado se os demais andam como loucos. E foi um louco desses que fazendo uma ultrapassagem forçada em alta velocidade no sentido oposto ao nosso, colidiu com nosso carro.

Não pude deixar de imaginar a cena e sentir na própria pele a dor que ele sentiu e que ainda hoje sentia.

Respirando profundamente ele continuou:

- Eu não vi mais nada depois da batida! Quando acordei, estava num hospital e as enfermeiras me disseram que eu fiquei adormecido por três dias para não sentir tanto as dores do acidente.

- A primeira coisa que procurei saber, foi do estado de Fernanda e de Gabrielly e o médico me disse que em breve teria notícias delas. Ele pediu que eu descansasse um pouco mais, pois pela tarde eu teria alta. Disse também que meus pais estavam a caminho para me tirarem do hospital, pois como estava machucado, precisaria de auxílio.

Diante dessa promessa, eu adormeci novamente. Mas se eu pudesse imaginar o que eu ouviria de meus adoráveis pais, acho que preferiria ter morrido com elas.

Dizendo isso, ele acariciava a lápide onde jaziam os restos mortais de suas queridas . Respeitei seu silêncio e me limitei a dar meu apoio em forma de um abraço.

Retribuindo meu abraço ele perguntou se podia continuar. Eu acenei com a cabeça que sim. E os relatos de meu amigo, quase me fizeram chorar, mas a minha posição ali, não me dava esse direito, eu precisava confortá-lo. Ele prosseguiu:

- Despertei no inicio da tarde e vi meus pais ao meu lado com feições apreensivas. Desconfiei que alguma coisa não estava bem e perguntei novamente por Fernanda e Gaby.

- Minha mãe, segurando a minha mão, apenas me disse: “Filho, precisamos que você seja forte neste momento!”

- Olhei minha mãe nos olhos e vi que algo ruim tinha acontecido. Não suportando mais aquilo tudo, pedi que me contassem o que havia acontecido. E então minha mãe me deu a terrível notícia: “Filho, sua esposa e sua filha não sobreviveram ao acidente!”

Foram as últimas palavras que eu ouvi antes de começar a gritar feito louco no hospital.





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